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Entenda a relação entre Irã, Estados Unidos, Rússia e China

*Por Daniel Toledo

 

Venho acompanhando a história dessa guerra comercial que vem acontecendo entre Estados Unidos, China, Rússia e o Irã, que alfineta os americanos o tempo inteiro, para mostrar um pouco de poder, mas sempre mantendo o pé um pouco pra trás. Será que vamos ter uma terceira guerra ou algum embate? Será que o Brasil vai se envolver nessa história?

 

Como todos sabem, saiu em todos os noticiários do mundo que os EUA resolveram bombardear com um drone o veículo onde estava um dos mais importantes generais iranianos, no aeroporto do Iraque. De forma simples, é como se alguém fosse visitar uma pessoa no Brasil e houvesse uma invasão, de um determinado espaço, para que aquela pessoa fosse morta dentro de um outro território que não fosse o dela própria.

 

Existe uma série de estratégias nesse contexto. Se os EUA tivessem atacado dentro do Irã, haveria uma invasão ainda maior, uma ofensiva de guerra realmente, pois ele invadiria realmente o espaço aéreo e com certeza absoluta teria um desdobramento muito mais agressivo, então é óbvio que ele tentaria fazer isso fora dessas terras e dentro do Iraque, onde os EUA tem bases militares. É importante entender que houve sim uma estratégia por parte dos americanos para matar esse general, líder de forças revolucionárias, mas no entendimento de outras regiões e até religiões era reconhecido como extremista, radical e até terrorista, podendo ser um perigo para todos.

 

Mas é preciso entender algumas coisas. Um dia desses publiquei um artigo com alguns pensamentos, um deles dizia que quando você tenta argumentar com alguém dogmático ou catequista, é muito difícil pois essas pessoas já possuem ideias formadas e não aceitam argumentos ou outra forma de pensar. Afinal, ela segue uma doutrina, então se olharmos o Islã radical vamos ver uma série de situações que podem ser chocantes para nós, mas totalmente normal para eles. Existem os radicais, os mais flexíveis, mas o preceito islâmico é basicamente a mesma e quem conhece, sabe que a interpretação pode levar ao radicalismo. É uma religião milenar, que o Irã quer levar adiante mesmo que o mundo evolua.

 

O Irã tem uma área territorial muito grande, e não é feito de ruínas arcaicas como é mostrado muitas vezes. É um país tecnológico, com desenvolvimento de armamento nuclear, enriquecimento de minérios que podem gerar explosões nucleares, então certamente não é um país destruído e amedrontado como as pessoas colocam. É um vespeiro, eles brigam e tem experiência bélica há milhares de anos.

 

Vai haver uma guerra mundial por conta da questão do Irã x EUA? Óbvio que não. Historicamente, todas as grandes guerras, que envolveram muitos países e pessoas, foram precedidas por uma intenção real de mudança de poder. Não se tratavam de disputas comerciais. Não vai haver uma guerra mundial por conta de uma disputa comercial entre EUA e China. Mas pode haver uma guerra caso a China resolva que é necessária a alternância de poder no mundo, uma vez que a soberania hoje é americana.

 

A China vem negociando e já conseguiu, com alguns países, a substituição da moeda referencial em algumas coisas, por exemplo o combustível na Arábia Saudita e isso já é um primeiro indício de sobreposição de soberania, a sua força, a força da sua moeda, a força do seu país, força bélica, em um terceiro momento. Isso sim pode gerar a terceira guerra mundial. A Rússia tem total interesse em que a China entre em uma guerra, pois é a chance de lavar a alma do que aconteceu na época da guerra fria, em que acabou quebrando o país. Se você quer quebrar um concorrente, nada melhor do que fazê-lo gastar dinheiro até que ele não tenha mais condição financeira de se manter na guerra. É uma estratégia antiga e inteligente de quebrar um inimigo pelo prejuízo financeiro.

 

Então é interessante que ocorra uma guerra entre EUA e China para que a Rússia possa, de certa forma, se sobrepor. No entanto, como expliquei antes a questão de alternância ou manutenção de poder, o mundo não está preparado para isso nesse momento, portanto não haverá uma guerra ainda. Mas no futuro pode ser que sim, pois é assim que funciona a humanidade.

 

Com relação ao Brasil, é pouco provável que se envolva na questão. O presidente Bolsonaro expressou, da forma dele e com razão, que “o Brasil não tem capacidade bélica para opinar numa questão de terceira guerra mundial”. Além disso, se os EUA entrassem numa guerra e chamassem alguém, não seríamos nós, já que estaria acontecendo do outro lado do mundo e eles tem muitos aliados naquela região, inclusive islâmicos que são contra o Irã que poderiam dar o suporte que os EUA precisam. Até mesmo a Europa tem interesse em que o Irã seja suprimido por conta dos riscos e grupos extremistas que agem naquela região.

 

É importante lembrar também de todo o sensacionalismo que rodeia esse assunto. A mídia expõe as situações e não conclui raciocínios ou pondera sobre os temas e, por questões legais, o Brasil não pode participar de uma ofensiva de guerra. Pode participar com atos pacíficos, apoio humanitário, mas não pode enviar soldados para uma ação ofensiva bélica, pois há dispositivos legais que impedem isso. A menos que isso seja alterado, o Brasil não se envolverá em guerra alguma.

 

Vai ter guerra? Não nesse momento e mesmo que tivesse, o mundo não está preparado para uma mudança de poder, não há preparo. A China vem construindo ilhas, que na verdade são bases militares no meio do mar da China, em área de trânsito internacional, bases com lançamento de mísseis, aviões caça e até navios de guerra estão com o pensamento no futuro, numa possível troca de poder.

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