Modelo de habitação compacta, com baixo custo de implantação e alta demanda em cidades universitárias, combina renda recorrente e possibilidade de estruturação migratória
O avanço da crise habitacional nos Estados Unidos, somado ao aumento da população estudantil e à pressão por moradias acessíveis em pólos universitários, tem impulsionado um modelo imobiliário que até poucos anos atrás ocupava um nicho marginal: os empreendimentos de tiny homes. Em 2026, esse formato começa a atrair de forma mais consistente investidores estrangeiros, incluindo brasileiros interessados em renda imobiliária dolarizada e em estruturas que possam servir de base para processos migratórios legais.
Um exemplo desse movimento está em College Station, no Texas, cidade que abriga a Texas A&M University, uma das maiores universidades públicas dos Estados Unidos, com mais de 73 mil alunos matriculados, segundo dados oficiais da instituição. A forte demanda por moradia estudantil tem pressionado o mercado local, elevando aluguéis e abrindo espaço para soluções alternativas fora do padrão tradicional de apartamentos e dormitórios universitários.
De acordo com o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Internacional e imigração, projetos de tiny homes têm se mostrado financeiramente viáveis justamente por atenderem a uma lacuna clara do mercado. “Há uma demanda estrutural por moradia em cidades universitárias que o modelo tradicional não consegue suprir a um custo razoável. As tiny homes entram como uma solução intermediária: são mais baratas que casas convencionais, mais confortáveis que dormitórios e altamente escaláveis para investidores”, afirma.
Terrenos menores, mais unidades e maior eficiência de capital
O racional econômico desses projetos parte da aquisição de terrenos urbanos ou semiurbanos, já regularizados, com zoneamento compatível para habitação multifamiliar de baixa densidade. Em College Station, terrenos com cerca de 1.300 metros quadrados vêm sendo negociados na faixa de US$150 mil, segundo valores praticados no mercado local.
A partir das regras de zoneamento e exigências mínimas de vagas de estacionamento, é possível implantar entre 10 e 16 unidades habitacionais compactas em um único lote. Cada unidade é entregue de forma independente, com cozinha, banheiro, área de estar e infraestrutura completa, o que permite locação individualizada.
“O ganho está na eficiência do uso do solo. Em vez de uma ou duas casas, o investidor consegue multiplicar a área locável, diluindo o custo do terreno e aumentando o retorno por metro quadrado”, explica Toledo.
Aluguel mais barato para o inquilino, margem maior para o investidor
Os números ajudam a entender a atratividade do modelo. Enquanto dormitórios universitários em instituições públicas do Texas cobram, em média, entre US$ 1.200 e US$ 1.300 por mês por aluno, de acordo com dados da Texas A&M, unidades de tiny homes próximas ao campus são locadas por valores em torno de US$ 850 mensais, com maior privacidade e estrutura individual.
Em alguns casos, a própria universidade opta por alugar empreendimentos inteiros de tiny homes para acomodar alunos, professores visitantes ou funcionários temporários, sublocando posteriormente as unidades. “É uma equação que fecha para todos: o aluno paga menos, a universidade resolve um problema logístico e o investidor garante ocupação integral”, diz o advogado.
Receita recorrente e fontes adicionais de ganho
Além do aluguel mensal, o modelo permite a criação de receitas acessórias, que ampliam a rentabilidade do projeto. Entre elas estão a locação de vagas de garagem individuais, cobrança pela internet compartilhada frequentemente negociada com grandes operadoras e serviços opcionais, como limpeza periódica das unidades.
Em empreendimentos com cerca de 20 casas, apenas a cobrança mensal por faxina pode gerar até US$4 mil adicionais por mês, considerando serviços básicos realizados uma vez ao mês por unidade. “São pequenos valores individualmente, mas que, somados, fazem diferença relevante no fluxo de caixa”, afirma Toledo.
Segundo estimativas do setor imobiliário local, projetos bem estruturados de tiny homes em cidades universitárias conseguem operar com taxas de ocupação próximas de 100%, sobretudo em regiões com crescimento populacional acima da média estadual.
Gestão simplificada e operação remota
Outro fator que tem atraído investidores estrangeiros é a simplicidade operacional. A gestão de locação, seleção de inquilinos, contratos, pagamentos e vistorias é feita por meio de plataformas digitais, amplamente utilizadas no mercado imobiliário americano.
“Hoje, o investidor consegue acompanhar todo o desempenho do empreendimento por aplicativo, mesmo estando fora dos Estados Unidos. A operação não exige uma equipe grande nem presença constante no local”, explica o advogado.
A manutenção cotidiana costuma ser terceirizada para prestadores locais, responsáveis por pequenos reparos, paisagismo e inspeções periódicas, reduzindo custos fixos e complexidade administrativa.
Imigração e estruturação legal caminham juntas
Embora o investimento imobiliário, por si só, não garanta um visto de residência, Toledo ressalta que projetos desse tipo podem ser parte de uma estrutura migratória mais ampla, desde que corretamente planejados. “O erro é achar que basta comprar um imóvel para resolver a imigração. O que funciona é alinhar o investimento a uma estratégia jurídica consistente, respeitando regras de cada categoria de visto”, afirma.
Para investidores que pretendem residir nos EUA, a estruturação do negócio, a geração de receita real e o cumprimento das exigências legais são fatores determinantes na análise migratória.
Um modelo alinhado às tendências do mercado americano
O crescimento das tiny homes acompanha transformações mais amplas do mercado imobiliário dos Estados Unidos. Segundo o U.S. Census Bureau, o país enfrenta um déficit de milhões de unidades habitacionais, especialmente em cidades médias com forte presença universitária e polos de inovação.
Nesse contexto, soluções compactas, modulares e de rápida implantação ganham relevância. “Não se trata de uma moda passageira, mas de uma resposta direta a um problema estrutural de moradia”, avalia Toledo.
Para investidores estrangeiros, o modelo reúne características raras: baixo ticket de entrada relativo, demanda consistente, múltiplas fontes de receita e alinhamento com tendências urbanas de longo prazo. Em 2026, esse conjunto começa a transformar as tiny homes de alternativa periférica em ativo imobiliário estratégico no mercado americano.
Fontes utilizadas na matéria
(dados oficiais, pesquisas setoriais e órgãos governamentais dos EUA)
1. Departamento de Estado dos Estados Unidos (U.S. Department of State)
Conteúdo utilizado:
- Valores atualizados das taxas consulares (MRV) por categoria de visto (F, H, L, O, E).
- Estrutura oficial de cobrança para vistos de estudo, trabalho e investimento.
Fonte:
- U.S. Visa Fees – Travel.State.Gov
https://travel.state.gov/content/travel/en/us-visas/visa-information-resources/fees/visa-fees.html
2. Departamento de Segurança Interna / USCIS (U.S. Citizenship and Immigration Services)
Conteúdo utilizado:
- Tempos médios de processamento por tipo de visto e centro de serviço
- Informações sobre premium processing (Form I-907)
- Estrutura geral de petições de imigração
Fontes:
- USCIS Processing Times
https://egov.uscis.gov/processing-times/ - Premium Processing – Form I-907
https://www.uscis.gov/forms/all-forms/how-do-i-request-premium-processing
3. SEVP / Department of Homeland Security – SEVIS Fee
Conteúdo utilizado:
- Valor oficial da taxa SEVIS (I-901) para estudantes F-1 e M-1
Fonte:
- FMJ Fee – SEVIS I-901
https://www.fmjfee.com
4. Bureau of Labor Statistics (BLS)
Conteúdo utilizado:
- Dados médios de custo de vida e despesas anuais do consumidor nos EUA
- Consumer Expenditure Survey
Fonte:
- Consumer Expenditures – BLS
https://www.bls.gov/cex/
5. Zillow Research (Mercado imobiliário)
Conteúdo utilizado:
- Tendências de aluguel nos EUA
- Relatórios sobre custo médio de moradia e acessibilidade por cidade
Fonte:
- Zillow Housing Data
https://www.zillow.com/research/
6. U.S. Energy Information Administration (EIA)
Conteúdo utilizado:
- Preço médio da energia elétrica residencial nos EUA
- Variações regionais de custo de utilities
Fonte:
- EIA – Electric Power Monthly
https://www.eia.gov/electricity/monthly/
7. American Automobile Association (AAA)
Conteúdo utilizado:
- Custo médio anual de posse e operação de um veículo nos EUA
(inclui combustível, seguro, manutenção e depreciação)
Fonte:
- Your Driving Costs – AAA
https://exchange.aaa.com/safety/driving-advice/driving-costs/
8. College Board (Educação superior)
Conteúdo utilizado:
- Custo médio de universidades públicas e privadas
- Diferença entre tuition in-state, out-of-state e private colleges
Fonte:
- Trends in College Pricing
https://research.collegeboard.org/trends/college-pricing
9. Internal Revenue Service (IRS)
Conteúdo utilizado:
- Prazo e forma de emissão do EIN (Employer Identification Number)
- Informações oficiais sobre abertura de empresa
Fonte:
- Apply for an EIN Online – IRS
https://www.irs.gov/businesses/small-businesses-self-employed/apply-for-an-employer-identification-number-ein-online
10. Governo do Estado de Delaware
Conteúdo utilizado:
- Prazos para abertura de empresas
- Serviços de processamento acelerado
Fonte:
- Delaware Division of Corporations
https://corp.delaware.gov
11. IBISWorld (Pesquisa setorial)
Conteúdo utilizado:
- Tamanho do mercado de transporte executivo e serviços premium nos EUA
- Dados macroeconômicos do setor de serviços corporativos
Fonte:
- IBISWorld – Limousine & Town Car Services in the US
https://www.ibisworld.com





